Esse texto foi escrito em 2003, mas sob muitos aspectos mantém sua atualidade e resolvi republicá-lo agora:

A sua imagem e semelhança…

O computador humanoExistem paralelos possíveis entre o ser humano e os computadores.

Eles se manifestam de forma aguda, quando colocamos as máquinas em comunicação, pois elas são diferentes entre si e são ligadas de maneira diferente também. Há uma variedade enorme, quase total. De capacidades e configurações. Cada indivíduo tendo algo do seu Criador, algo do seu Usuário, muito do seu Tempo, do seu Lugar.

Quando falam uns com os outros, frequentemente acontece de um não conseguir “abrir” a mensagem do outro, ou o arquivo.

Os modelos antigos não compreendem os mais novos, que também deixam de entender os já obsoletos. As linguagens e os termos de referência usados no início já não são mais entendidos nem usados.

Mesmo quando a comunicação acontece, pode ser que o tom, a nuance de uma cor, não possa ser vista pelo outro, que a interpretará dentro do seu espectro de 256 cores básicas… Um fundo de página de internet que estiver “automático”, pode ser cinza no Netscape, branco no IExplorer, e até mesmo cor-de-rosa.

Se um quer escrever com Aaram Bold, o outro, que nunca ouviu falar disso, resolve que aquilo é uma fonte padrão. Que tal Times New Roman?

Uma página formatada com cuidado em um editor de texto, pode não encontrar o programa ideal para ser vista em outra máquina e aparecer totalmente desmontada. Mesmo sendo da própria família!

Há mesmo o herói Macintosh, que lutou contra os grandes e os venceu, tal era sua superioridade.

Há também o tirano Microsoft, que espalhou pelo mundo suas Janelas, que obrigam a ter uma visão só. Que aprisionou Macintosh e o roubou. Ainda hoje não se falam direito.

Há ainda uma lenda subterrânea, da Finlândia, de onde veio Linux, que se entregou sem resistir e cativou a muitos.

Também não se pode supor que evoluam muito através da quantidade de informações em seu disco rígido. Ou da velocidade com que conseguem lidar com elas.

Precisam de uma intenção do Usuário, com o apoio do Criador, para conseguir um upgrade. Mesmo assim, existe um limite para isso. É possível elevar um pouco o nível existente. Não é provável obter sempre o máximo, ou o ideal. Um 386 jamais será um Pentium IV. Pode ganhar um pouco mais de memória, aumentar sua capacidade de lidar com situações complexas, talvez enriquecer-se com um pouco mais de cor, de sons. Melhorar sua comunicação.

Também neste caso, o que é solução para um, pode ser um problema para o outro. O que hoje representou uma melhora, pode não ser assim mais adiante, em outro tempo e em outra situação.

Atualmente as máquinas tem se apoiado em um aumento de suas capacidades, com mais velocidade e memória, mais esforço. Infelizmente o direcionamento destes esforços tem sido o de subjugar o Usuário, que é visto como um consumidor de produtos, um perfil. E é tratado de maneira desonesta, com invasões de cookies e de portas TCP/IP não autorizadas. Tudo em nome do Criador.

Há a super valorização do novo, do mais avançado, em detrimento das necessidades reais. Existe uma especulação imaginativa sobre um Mundo Virtual, com mais qualidade e quantidade de coisas, como resultado do aumento das mesmas capacidades atuais. Sem ampliação dos parâmetros e horizontes.

setembro
2015
1

Não há amanhã

CRÉDITOS
Não há amanhã – There’s no tomorrow
ANIMAÇÃO e DIREÇÃO
Dermot O’ Connor
LOCUÇÃO EM PORTUGUÊS
Bruno Bártulich
MÚSICA INTRODUÇÃO
Assassination – Christoph Burghardt – Jamendo
Deadly prison – Bruce – Jamendo
EDIÇÃO
Photo Amaral

A história da semente se tornou uma história de perdas, controle, dependência e dívida. Foi escrita por aqueles que querem fazer um lucro enorme com nosso sistema alimentar, não importa o verdadeiro custo. É hora de mudar essa história!

Produzido pela Fundação Gaia e da Rede de Biodiversidade Africano, em colaboração com MELCA Etiópia, Internacional Navdanya e grãos. Saiba mais em seedsoffreedom.info

Pepe Mujica

Pepe Mujica em sua chácara, nos arredores de Montevidéu

“Precisamos de uma cultura alternativa à cultura do capital. Ela não pode nos dar felicidade, pois, na ânsia de acumular, não nos sobra tempo para viver”. Para Leonardo Boff, conversa de quase 2 horas na casa de Mujica foi ‘uma experiência de choque’. Confira o relato completo no site Pragmatismo Político.

 

No maravilhoso complexo de edifícios conhecido como La Alhambra, construída pelos sufis em Granada, Espanha, entre 1248 e 1354, Loreena Mckennitt entoa seus hinos místicos, expressão de nossa cultura ocidental para aquilo que sempre foi dito e sempre será.

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Fazenda Tamanduá, município de Santa Terezinha, Paraíba.

junho
2012
14

Para onde ir?

Desde que li pela primeira vez Ouspensky em Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido uma imagem me surpreendeu e ficou gravada na Georges I. Gurdjieff memória. A alegoria da carruagem, comparada ao ser humano, que o autor atribuiu a Gurdjieff, o fundador do Instituto para o Desenvolvimento Harmonioso do Homem (Paris, 1922). Nessa imagem o carro em si é comparado ao corpo físico, os cavalos às emoções, o cocheiro ao intelecto e o passageiro a algo que poderíamos chamar de ser superior. Explorando um pouco essa idéia, o corpo físico nos transporta, as emoções são nossa força motriz, habilmente dirigidas pela razão, que conhece a mecânica do carro, as características dos seus cavalos, os detalhes dos caminhos. Contudo, todo esse conjunto carece de um destino. Esse objetivo é conhecido pelo passageiro, que orienta o cocheiro. Ao menos essa seria a maneira ideal disso funcionar. Bem sabemos que vivemos uma situação diferente hoje. O carro anda mal cuidado, os cavalos mordem os freios e desandam a correr, o cocheiro não lembra do passageiro e pensa que é o dono da carruagem, andando com precisão e sem rumo. Quanto ao passageiro… bem, há muito tempo ninguém sabe dizer dele. Uns dizem que nunca existiu, outros que está inconsciente, ou ainda que viaja na carruagem, mas não consegue se comunicar com o cocheiro.

Muita coisa pode ser inferida do que foi colocado acima. E, como toda a imagem, sempre há um ponto onde a metáfora e a realidade não se encaixam mais. No entanto há uma riqueza capaz de nos fazer compreender algumas coisas importantes, como o papel da razão e das emoções dentro de um panorama mais amplo, além de dimensionar com certa clareza o que faz esse “ser superior”, palavra que de tanto usada já está meio gasta.

Entretanto, ressalto aqui um aspecto. O fato de não sabermos para onde ir. A humanidade caminha como se cada passo definisse o seguinte. E cada vez mais rápido. Ao olharmos para a frente, com os olhos do cocheiro, vislumbramos uma projeção do passado recente, infinitamente. – Daqui a cem anos teremos aparelhos interativos totais, capazes de mediar nosso contato com o mundo real, melhorando-o. Viajaremos no espaço. Viveremos muito mais. E… seremos felizes… por que não? – … Será que as coisas acontecerão assim? Num continuum linear de realizações da ciência e da tecnologia?

Um olhar mais profundo sobre nossa história contradiz essa visão. Andamos de uma forma diferente, avançando e recuando, justamente porque não conhecemos o caminho e, errando, aprendemos (ou se espera que aprendamos!).

África abandonadaHá indícios de decadência em quase todos os campos, em nossa civilização. Periferias violentasMuros são levantados e ficam cada dia mais altos. A periferia foi abandonada e o centro apresenta sinais de decomposição. Mesmo com o brilho das conquistas científicas e tecnológicas, a falta de solução para problemas antigos é uma realidade ainda presente, senão crescente.

Lembro que na década de 1970 o agrônomo e ambientalista pioneiro José Lutzemberger já alertava para o fato de que, sem uma mudança em nossos hábitos de consumo e no que entendemos como “viver bem”, o planeta Terra estaria condenado à exaustão de seus recursos em curto espaço de tempo. Isso se agravava com o natural e desejado advento de classes excluídas ao parque de diversões da classe média. O mesmo valeria para as nações emergentes, que almejam o status de desenvolvidas e, em consequência, aos privilégios de consumo e desperdício que caracterizam os ricos. Hoje, quando acontece a reunião internacional Rio+20, o que mudou? Vejo a CNI bem animada com as contribuições da indústria brasileira para um mundo melhor [sorriso irônico].

Sim, muitos são alcançados pela propaganda de um mundo sustentável. Muitos adotaram as velhas sacolas de pano para fazer compras. Preferem uma luminária de palha ao acrílico, uma camiseta de algodão à fibras sintéticas (Krisnamurti preferia o contrário, justamente para não consumir insumos naturais…). Seria isso um outro modismo? Estaríamos, agindo assim, nos aproximando da simplicidade de ter “poucas roupas e poucas posses”, por exemplo, ações preconizadas por sábios e santos de todas as origens?

Na minha opinião há, sim, um processo em andamento. Não é, no entanto, guiado pelas lideranças humanas. Acontece no organismo universal, fruto da própria natureza deste. O alvo desse processo não é a nossa salvação, mas a continuidade e saúde do Universo. Nós podemos, ou não, A vida renasce das ruínasestar nessa. De qualquer forma, seguindo a tradição de aprendizado por erros e acertos, não poderemos nos furtar às consequências dos nossos atos nos últimos séculos. Isso já ocorreu muitas vezes em nosso passado, ao tropeçar podemos, enfim, redirecionar, reconstruir. Tem sido assim. Em nenhum momento alcançamos uma mudança de rumo sem passar por um grande abalo nas estruturas do mundo vigente. Ao olharmos nossa trajetória como algo que transcende as civilizações que construímos podemos, então, perceber que existe uma direção. Esta, porém, não é escolhida por nós, mas tem origem em forças acima da humanidade.

Voltando ao passageiro viajando na carruagem, esse é o elemento que liga o ser humano à sua origem, o Universo. Esse ser interior é um habitante cósmico, numa vida mais ampla, que ultrapassa nossa existência individual e nossos jogos terrenos. Ele sabe para onde deve ir. Por essa razão “religare” é religião. O passageiro precisa voltar a poder dizer ao cocheiro o destino que conhece. Esse, talvez, seja o caminho entre a inocência, já perdida, e a sabedoria, nossa única salvação.

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maio
2012
29

Seria isso?

Alunos de diversas universidades públicas brasileiras, coordenados pela USP e UFSC, desenvolveram uma casa conceito, sustentável, e irão participar do Solar Decathlon Europe em setembro de 2012.

Eko Casa USP/UFSC

Poderia ser essa uma alternativa para o futuro?

Veja o que estão pensando os jovens arquitetos e engenheiros que estão saindo de nossas universidades agora. Conheça melhor o projeto em ekobrasil.org e no vídeo abaixo. Depois, se quiser, comente.

março
2012
11

O nordeste do frio

 

Engenho Baixa Verde, Serraria, PB

Engenho Baixa Verde, Serraria, PB

Para os brasileiros que vivem no nordeste isso não será novidade. Gravatá e Garanhuns, em Pernambuco, já são cidades serranas turísticas conhecidas, por exemplo. Porém para a grande maioria do país, falar em um nordeste onde chove regularmente e pode fazer até 10ºC, pode ser novidade. Na Paraíba, nessa faixa chamada Agreste, que acompanha o litoral nas encostas da Serra da Borborema, há uma região conhecida como Brejo Paraibano, ou simplesmente Brejo, onde existem pequenas cidades que tiveram importância econômica na época dos engenhos, relatada de forma rica por José Lins do Rego (“Menino do Engenho” e “Fogo Morto”, entre outras obras). Com a decadência da cultura do algodão e do café e o com o advento das grandes usinas de cana no litoral, o Brejo parou. E agora vem sendo redescoberto. Bananeiras e Areia são os expoentes do chamado “Caminhos do Frio“, evento patrocinado pelo governo estadual e prefeituras. Empresários potiguares e paraibanos vêm investindo em hotéis e condomínios. Iniciativas que trazem desenvolvimento e oportunidades, porém também riscos de descaracterização e crescimento sem controle, como já vimos em outros lugares. Isso aumenta a responsabilidade de dirigentes e empresários, para que os empreendimentos e as populações atraídas encontrem regras claras e a devida fiscalização. Existem alguns engenhos antigos na região. Alguns que vêm sendo restaurados pelos atuais proprietários, ou pelas famílias que os possuem há gerações, como o Engenho Baixa Verde na foto grande, acima, ou o Engenho Martiniano, onde o alambique recuperado produz a conhecida cachaça Cobiçada (PB) e ainda o Engenho Laranjeiras, transformado em uma bela pousada. No entanto, ainda não existem medidas efetivas por parte do poder público que impeçam o que aconteceu ao antigo Engenho de Goiamunduba (foto ao lado) que hoje não existe mais, desabou, depois de ter sido objeto de depredação contumaz por parte de moradores da área, onde se pode encontrar facilmente imóveis construídos com o material desta ruína. Contudo são inúmeros os lugares e eventos interessantes disponíveis para o viajante queOrifício para atirar com mosquetões se disponha visitar o Brejo. A cachoeira do Roncador, cujo acesso se faz por trilha a partir de Bananeiras, ou de carro por Pirpirituba, no pé da serra, é um deles. Existem sobrados históricos que possuem marcas extraordinárias do passado, como os orifícios no muro que serviam para atirar com mosquetões na defesa contra os ataques do cangaço (foto da direita →). A festa de São João, que no nordeste assume o status de principal manifestação da cultura popular e tradicional, é o evento mais importante. Há alguns anos o município de Bananeiras tem investido em trazer músicos de raíz, autênticos, em contraponto a outros lugares que promovem mega-festas regadas a forró “plastificado”  e axé. Em Areia, recentemente, reabriram o museu Casa de Pedro Américo, restaurado, assim como estão abertos e funcionando o Museu Regional de Areia, o Museu do Brejo Paraibano, situado dentro do campus da UFPB e o Teatro Minerva, de 1859, único remanescente que ainda se conserva original em sua estrutura interna.

Engenho Martiniano - Borborema, PB Antigo túnel de trem - Bananeiras, PB Pousada da Estação, Bananeiras, PB Praça em Bananeiras, PB
Museu - Bananeiras, PB Estação de Trem - Bananeiras, PB Correio - Bananeiras, PB Teatro Minerva - Areia, PB
Interior do Teatro Minerva - Areia, PB Rua em Areia, PB (onde ficava a casa do pintor Pedro Américo) Museu do Brejo Paraibano (da Rapadura) - Areia, PB Museu do Brejo Paraibano, interior da casa - Areia, PB
Escola antiga em Areia, PB Igreja antiga em Areia, PB Açude no Brejo Antigo convento das Carmelitas - Bananeiras, PB
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junho
2011
17

Abrindo nossas almas

Eduardo Galeano é um uruguaio, autor de dezenas de livros, entre os quais o clássico As Veias Abertas da América Latina. Nesse vídeo, já bastante divulgado na internet, ele “joga conversa fora” entre os que protestam acampados numa praça em Barcelona, ES. Embora por um angulo de visão todo seu, há uma grande identidade com muitas coisas abordadas aqui e por essa razão reproduzimos a mídia. Nosso tributo a esta figura impagável!

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