Para os brasileiros que vivem no nordeste isso não será novidade. Gravatá e Garanhuns, em Pernambuco, já são cidades serranas turísticas conhecidas, por exemplo.
Porém para a grande maioria do país, falar em um nordeste onde chove regularmente e pode fazer até 10ºC, pode ser novidade. Na Paraíba, nessa faixa chamada Agreste, que acompanha o litoral nas encostas da Serra da Borborema, há uma região conhecida como Brejo Paraibano, ou simplesmente Brejo, onde existem pequenas cidades que tiveram importância econômica na época dos engenhos, relatada de forma rica por José Lins do Rego (“Menino do Engenho” e “Fogo Morto”, entre outras obras). Com a decadência da cultura do algodão e do café e o com o advento das grandes usinas de cana no litoral, o Brejo parou. E agora vem sendo redescoberto.
Bananeiras e Areia são os expoentes do chamado “Caminhos do Frio“, evento patrocinado pelo governo estadual e prefeituras. Empresários potiguares e paraibanos vêm investindo em hotéis e condomínios. Iniciativas que trazem desenvolvimento e oportunidades, porém também riscos de descaracterização e crescimento sem controle, como já vimos em outros lugares.
Isso aumenta a responsabilidade de dirigentes e empresários, para que os empreendimentos e as populações atraídas encontrem regras claras e a devida fiscalização.

Existem alguns engenhos antigos na região. Alguns que vêm sendo restaurados pelos atuais proprietários, ou pelas famílias que os possuem há gerações, como o Engenho Baixa Verde na foto grande, acima, ou o Engenho Martiniano, onde o alambique recuperado produz a conhecida cachaça Cobiçada (PB) e ainda o Engenho Laranjeiras, transformado em uma bela pousada.
No entanto, ainda não existem medidas efetivas por parte do poder público que impeçam o que aconteceu ao antigo Engenho de Goiamunduba (foto ao lado) que hoje não existe mais, desabou, depois de ter sido objeto de depredação contumaz por parte de moradores da área, onde se pode encontrar facilmente imóveis construídos com o material desta ruína.
Contudo são inúmeros os lugares e eventos interessantes disponíveis para o viajante que
se disponha visitar o Brejo. A cachoeira do Roncador, cujo acesso se faz por trilha a partir de Bananeiras, ou de carro por Pirpirituba, no pé da serra, é um deles. Existem sobrados históricos que possuem marcas extraordinárias do passado, como os orifícios no muro que serviam para atirar com mosquetões na defesa contra os ataques do cangaço (foto da direita →).
A festa de São João, que no nordeste assume o status de principal manifestação da cultura popular e tradicional, é o evento mais importante. Há alguns anos o município de Bananeiras tem investido em trazer músicos de raíz, autênticos, em contraponto a outros lugares que promovem mega-festas regadas a forró “plastificado” e axé.
Em Areia, recentemente, reabriram o museu Casa de Pedro Américo, restaurado, assim como estão abertos e funcionando o Museu Regional de Areia, o Museu do Brejo Paraibano, situado dentro do campus da UFPB e o Teatro Minerva, de 1859, único remanescente que ainda se conserva original em sua estrutura interna.



A história política não costuma reservar ao chamado Movimento 


ao lado das ruínas de uma capela, na saída da cidade para Aracajú. As acomodações são simples, mas se tem uma impressão de voltar no tempo. Não sei se ainda funciona…


























perceber que não se pode saber ao certo se existe o centro, ou onde está. Coisas assim não se tornam claras em vão. Tudo o que formará a próxima caminhada e as próximas ilusões já vem aflorando há alguns séculos.

